Ele detestou, por toda a vida, aquele sentimentalismo e super drama do Renato Russo, especialmente aquela música que pergunta “e hoje em dia como é que se diz eu te amo?” Ora, como assim? As pessoas vivem suas vidas esperando aquele momento em que o “eu te amo” vai sair tão espontâneo e natural… E mesmo que elas digam que amam sem amar, o desejo de amar é o mais lindo no “eu te amo”. Mas ela não entendia isso. E, ugh, ela gostava de Legião Urbana, achava que a dor do Renato Russo se encaixava tanto nela. Ele preferia Chico Buarque cantando sobre saudade, ou mesmo Roberto Carlos e sua “De Tanto Amor”, outra cheia de saudades. Ela preferia a desesperança e a dor bobinha dos que acreditam em felicidade.
Pensou em bater na porta dela com pãezinhos de queijo e o mais doce dos sorrisos. Mas o “eu te amo” estava ali entre os dentes, ele o sentia na garganta. Ela seria apenas beijos e mãos e letras. Ainda assim, a amava com todas suas entranhas. Mas para que? Não lhe diria nada, ela ainda se pergunta como é que, hoje em dia, ainda dizem “eu te amo” por aí.