A vida é mesmo feliz por causa de pequenas coisas.
Hoje eu lembrei, do nada, da boa companhia de um casal de amigos em Barcelona. Não havia nenhuma razão especial para lembrar desses bons momentos, mas eles vieram, e eu senti falta da simplicidade das coisas naquele tempo – e já se vai um ano.
Senti falta de fazer uma ligação que me custava algo como noventa centavos, e depois pegar um metrô e saltar três ou quatro (já nem lembro mais) estações depois, na linha azul. E pronto, eu podia estar com eles.
Senti falta da simplicidade de receber alguém em casa, de fazer comida para os seus amigos só porque eles são seus amigos, da alegria de deixar um amigo confortável dentro da sua casa, dentro de um lugar seu, onde você tem as suas coisas arrumadas do jeito que você escolheu.
Senti falta do cheiro de cigarro por todos os lados, das briguinhas que eu não entendia, de um chamando o outro de “cariño” com tanta naturalidade e tanta harmonia.
Senti falta das longas conversas sobre coisas tão bobas e logo tão sérias, de nós duas falando em português enquanto ele tentava se enterar de tudo, porque queria aprender português. Saudade de nós duas brasileiras falando espanhol com sotaque, enquanto eu não deixava de perguntar “qué?”, porque não conseguia entender o sotauqe parte gallego, parte andaluz, parte catalão dele.
Senti falta de estar ali e não pensar na hora, de só pensar no dia seguinte, como mucho.
Senti falta de pegarmos juntos o metrô e cada um tomar o seu rumo, mas sabendo que entre nós ali havia algo que não se rompia com a distância.
Senti falta até mesmo das enrolações, que pareciam menores talvez pelo tamanho da cidade. Barcelona, tão pequena…
Senti falta, aquela saudade que dói.
Ia dizer que esperava que passasse logo, mas daí eu penso que, quando quero pensar em coisas felizes, eu posso. Isso é um privilégio.