e é assim, do nada, na madrugada de domingo pra segunda, é assim que você começa o dia, com aquela voz que te aparece só assim, do nada, uma vez em toda uma vida, e te diz, te grita, te implora que não faça isso, que não desperdice, que não faça tudo errado de novo, tudo errado mais uma vez.
Voltei a ler HQs, graças ao meu desde sempre fornecedor de HQs, Paulo. Decidimos colocar em prática, finalmente, a ideia de produzir quadrinhos. Eu fico com o que me cabe, que é o roteiro, e ele, excelente desenhista que é, fica com a arte. Mas nem é disso que quero falar.
Do monte de HQs que ele me deu pra ler recentemente, li Mesa pra Dois, dos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Na verdade eles têm uma série publicada por uma espécie de selo que é a 10 Pãezinhos, uma coisa fofa.
A história é super simples e provavelmente por isso eu gostei tanto. É a história dessa mocinha que trabalha num bar e, no seu tempo livre, resolve ser assistente de um escritor, e seu trabalho é simplesmente conversar com ele, para lhe dar material para seus diálogos. Mas isso não é nada além de uma desculpa para entrarmos bem de leve na vida da mocinha (esqueci o nome dela) e acompanhar a paixonite que o seu colega de trabalho tem por ela.
É muito curta a história e eu adoro quem sabe contar histórias curtas. O Mesa pra Dois é uma fofura, os desenhos são uma delícia e os conflitos são instigantes a maior parte do tempo. O único problema que vi foi a má exploração do fio condutor da história, que é o escritor que contrata a mocinha pra conversar com ele – acaba que aimportância dele na narrativa é ínfima, quase totalmente desimportante. Mas de resto, uma delícia.
Gostei especialmente de uma página na qual aprendi mito sobre a construção narrativa por páginas em HQ. Acho que, em Mesa pra Dois, eles conseguiram fazer que TODOS os quadrinhos tivessem uma informação importante e indispensável, e tem uma sequência de quadros que é linda, que mostra como o garçom colega da mocinha está sempre ao redor dela, prestando atenção nela e a observando. Os quadros são lindos, sugerem um movimento tão cinematográfico que me apaixonei. E como estou no processo de aprender a roteirizar pra HQ, me animei muito observando esses detalhes.
Vou tentar fazr um registro das HQs que vou ler, porque minha memória is a bitch.
Mais informações sobre os gêmeos no site deles: http://www2.uol.com.br/10paezinhos/
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Estavam do lado de fora de casa, os dois sem chave, sem dinheiro, sem falar uma palavra. Estava frio, como poucas vezes fica frio, e a rua estava calma, como estão calmas as ruas às 4h da manhã. E 4h da manhã é hora de meditar, hora de entoar os mantras do dia, hora de descobrir novas orquídeas ao redor, de muitas cores, muitos sabores. Estavam do lado de fora, sem chave, sem nada, com tudo aquilo cheio de cores em volta. Tudo em silêncio.
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E todos os dias era só chuva, tempestades, frio, o vento gelado na cara. Só que um dia, do nada, fez sol, a big hard sun, e era como se o dia se enchesse de calor e até de flores, e por um momento se pudesse sair em paz por aí, pelas ruas, sair pra ver o sol. E eu saí, saí pra ver o sol. Porque era um momento, uma pausa, um detalhe antes de voltar o frio, a chuva, o vento gelado na cara.
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Essas pessoas, flores com espinhos,
passam,
arranham,
deixam um cheiro doce por um tempinho,
mas depois
só cicatrizes.
(thank u)
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Amor, vem ver
O sol vai nascer outra vez
Outro sol vai nascer em nós
E todos os dias, amor, vem ver
a lua que guarda
a noite que acaba
e julho, julho que acabou.
Então lá estava ela com o cabelo curto e negro. Decidiu que ia desenterrar as lembranças e trazer de volta aqueles momentos nos quais qualquer coisa era feliz, era cheia de cores. Vestiu a calça jeans, aquela camisa cinza largada em meio às memórias dentro do guarda-roupa, calçou as botas que iam até os joelhos e saiu. Saiu.
Ir e voltar e ir outra vez… E apostar. E acreditar. E investir. E ceder.
Para nada.
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Eu não sei nada de dança. Pra mim, dançar sempre foi sinônimo de acompanhar, com passinhos, uma música. Com o mês da dança noTeatro Vila Velha, decidi que poderia começar a ter um repertório nessa arte tão desconhecida pra mim e já vi três espetáculos, tão diferentes entre si.
Pensei em comentar o que cada um me causou de diferente, mas o mais legal é o que me causaram de comum. O primeiro foi esquisito, o segundo foi o horror e o terceiro foi muito bom. Mas, gostando ou não, me dei conta mais uma vez da beleza que é o monte de possibilidades que o nosso corpo nos dá. Podem-se fazer muitas coisas com o corpo. E isso é tão lindo que me faltam palavras pra descrever.
Ainda quero ir ver muitas coisas no Vila. Aumentar meu repertório e ter a oportunidade de conhecer coisas novas em relação às quais eu sou uma verdadeira porta é uma chance mágica. E não perderei.
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Tenho deixado de fazer coisas que me davam prazer – e que, agora, perderam a graça. Tornaram-se repetitivas. Tenho deixado de fazer coisas que me deixavam em dúvida – e que, agora, revelaram de vez a sua face incômoda. Tornaram-se dispensáveis, como amigos do passado que já não têm nada a dizer.
Reler Hagamenon Brito é como redescobrir meu lugar no mundo.